Quadrilhas infantis ganham destaque nas discussões sobre o futuro do movimento junino
Propostas apresentadas em encontro nacional defendem editais específicos, presença nas escolas e maior proteção para a renovação das tradições juninas.
O futuro das quadrilhas juninas depende da presença de novas gerações nos ensaios, nas apresentações e nos espaços de decisão. Essa preocupação ganhou destaque durante o III Simpósio Nacional de Quadrilhas Juninas, realizado em Brasília, com representantes de diferentes estados brasileiros.
Durante os debates, foi apontada a redução do número de quadrilhas infantis em algumas regiões, principalmente pela falta de recursos e de editais voltados especificamente para crianças e adolescentes. Sem apoio para figurinos, transporte, alimentação, formação e produção, muitos grupos encontram dificuldades para manter suas atividades.
Como encaminhamento, o encontro aprovou a defesa de editais específicos para quadrilhas infantis e de uma aproximação maior com as escolas. A proposta reconhece o ambiente escolar como espaço estratégico para transmitir saberes, apresentar a cultura junina às crianças e fortalecer vínculos com as comunidades.
Uma quadrilha infantil não representa apenas a preparação de futuros competidores. Ela pode desenvolver convivência, disciplina, consciência corporal, criatividade, responsabilidade coletiva e sentimento de pertencimento. Também aproxima famílias, educadores, artistas e agentes culturais em torno de uma tradição compartilhada.
A criação de políticas próprias para os grupos mirins é importante porque suas necessidades são diferentes das encontradas nas categorias adultas. O trabalho precisa considerar proteção integral, acompanhamento das famílias, horários adequados, formação pedagógica e atividades compatíveis com cada faixa etária.
Para o Instituto Festança Cultural, o fortalecimento das quadrilhas mirins está ligado à preservação da memória e à continuidade da cultura popular. Investir nas crianças de hoje é garantir que o São João continue sendo vivido, recriado e transmitido pelas próximas gerações.
